Ó, cê me respeita:
Cará é o inhame e inhame é o cará!
terça-feira, 21 de agosto de 2007
ANONIMATO

Um senhor. Se não estivesse naquela situação... Talvez fosse respeitável. Talvez até tenha filhos, netos, uma casa e um cachorro. Talvez ensinasse aos filhos como tratar os mais velhos, que não se joga lixo na rua e até mesmo que devem, sobretudo, manter a calma no trânsito.
Só que naquela hora todas essas coisas perdiam importância. O senhor estava ali, entre centenas de desconhecidos, subindo a escada rolante da rodoviária de São Paulo, no auge da cabeleira branca. E berrava a todos pulmões "Vai tomar no cú". Repetidas vezes. Dez ou quinze vezes seguidas. Forte. Sem explicar nada a ninguém. Virava para trás e urrava. Incomodados, os passantes se entreolhavam, e claro, buscavam o objeto de tanto ódio. Ninguém esboçava uma reação suspeita. A não ser o velho.
Quando chegou ao topo, voltou, e ainda lá de cima berrou uma última vez "vai tomar no cú". E foi embora. Ainda no anonimato.
domingo, 19 de agosto de 2007
NA PELE

A filha ia se casar. E para o desgosto da mãe, com um mulato. Ela não gostava de admitir que tinha algum preconceito, e por isso até apoiou o namoro. O pai não escondia, soltava o verbo. De nada adiantou.
E agora essa notícia. Ai, meu Deus. Casar?
Ela não era a Marieta, não era mulher do Chico, o genro não era um músico famoso e ainda assim, em breve, a sala estaria cheia de negrinhos correndo para todos os lados. "Ô castigo".
MEIO A MEIO

Os pais mineiros moravam em São Paulo desde que ela tinha três anos. Nas férias iam a Belo Horizonte visitar a família. Os parentes debochavam de seu sotaque, e ela fazia um esforço monumental para amenizá-lo. As férias chegavam ao fim e tudo se invertia. Os amigos paulistas a chamavam de mineirinha. Um dia ela chamou a mãe no canto e desabafou:
"Não sou mineira nem paulista. Sou pauleira."
sábado, 18 de agosto de 2007
DIAS DE PAULISTANA

Preciso admitir que gosto de dar bom-dia, de olhar as plantas no caminho, de andar a pé, de saber como as pessoas vão, de ouvir histórias.
Adoro olhar pela janela, como no interior. Ver as pessoas que passam... Ouvir o vizinho conversando com o porteiro. Os passarinhos que cantam perto de casa. Adoro quando há pessoas na rua, na praça, sentadas embaixo da árvore.
Mas tem dias que tenho vontade de apertar o botão Não Páre! do elevador para não precisar falar nada com ninguém. Ah tem!
NEM BOM DIA

Tem uma São Paulo que assusta muita gente. Em pontos de contínua multidão ou passagem, as pessoas não trocam olhares, não conversam, não dizem bom-dia.
O paulistano não te vê, e não se engane, também mal se vê.
É um processo mecânico. Não é lugar para relaxar! Ele está atento à carteira, para nunca dar bandeira.
Uma viagem longa e cotidiana. Todo dia no ônibus, no carro, no metrô, as horas e a vida vão passando entre a casa e o trabalho. Nesse vai-e-vem obrigatório.
Quem vem de fora estranha. Mas só no início, porque o cansaço paulistano vai crescendo dentro de cada um. Cansaço do trânsito, do trabalho, da distância... E não se olha mais para os lados em lugar algum. Aí mora o perigo.
Agora sim, você se tornou um paulistano.
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
HOMENS ROMÂNTICOS: DOIS

Ele se apaixonou perdidamente.
Ela não era nada do que ele queria. Nova e inexperiente. Mas era linda, louca, viva! E por isso ele se entregou. Deixou de lado todos os medos que carregava. E conseguir isso dele já era tanto.
Por mais de um ano o céu não poderia ser melhor que sua própria casa. Ali chegava e encontrava sua pequena, tarada por ele! Ele! Mal saíam de casa, para quê? Todos os cômodos explorados, cada quina, cada sofá, canto e mesa. Qualquer suspiro provocava terremotos.
Mas a pequena ainda tinha sangue adolescente nas veias. Escorregadia. Só quis os céus e quando veio o inferno da rotina, ela simplesmente partiu. E ele, ah!! E ele que queria que ela fosse a avó de seus netos?
Ilustração: Yuko Shimizu, por Idéia Forte
HOMENS ROMÂNTICOS: UM

Ele estava em São Francisco quando soube que tinha aquele show que tanto queria ver em Sacramento, a capital da Califórnia, ali a 40km ao norte da sua cidade. Nem titubeou. Vou, pensou. Alugou um carro e foi. Sacramento era como qualquer outra cidade americana, espalhada.
Esperou pouco pelo show, logo começou. Enquanto isso observava as pessoas. A própria companhia é uma coisa que poucos sabem aproveitar. Ele sabe, e sabia, estava lá sozinho porque queria. Gostava de assistir a banda, ouvir a música, divertir-se sem ter que fazer social, sem compartilhar falsas amizades. Antes só do que mal acompanhado era seu lema.
Quando acabou o show, decidiu cumprimentar os músicos. E lá encontrou a Baterista. Linda, um amor. Conversaram com a cumplicidade de almas que se entendem. Mais do que os próprios poderiam imaginar.
E ela continua nas suas lembranças. Quem sabe no próximo show em São Paulo...
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
SINAIS

Cada um recebe alguns sinais do além ou da terra mesmo. Alguns percebem, outros nem.
Há quase três meses eu sempre escuto o barulho de obras, de martelo, batidas na parede em diferentes lugares, minha casa, salão, casa dos outros, no trabalho, enfim, sem restrições para o "sinal".
E pronto, é hora de ir embora. Só não me mandou embora do cinema, ainda.
O motivo do post é que acabei de ouvir esse barulho denovo. Vou-me.
PARABÉNS IDÉIA FORTE

Eu comecei a fazer Os Olhos de Designer porque participei do nascimento do Idéia Forte. Um blog sem igual. Arte – todo tipo, street, contemporânea, ilustração, etc – design, filmes, música, tecnologia, enfim tudo que me interessa.
Já citei o blog aqui várias vezes, porque o Idéia Forte sempre dá tudo antes. Posts bem escritos, com conteúdo e sempre interessantes. Se eu tivesse que escolher só um blog para ler, certeza que seria ele. Viva o Idéia Forte. Parabéns por completar 1 ano de vida. E que dure muito mais. Valeu galera.
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
DE NOVO?

Quantas vezes, nesse ano, ouvi essa história? Tô igual vitrola arranhada!
Fiquei doentinha denovo. Fiquei carente denovo. Fiquei assim dodói denovo. E sempre escuto a mesma justificativa do médicos. Você está estressada, sua imunidade está baixa. Mas que raios, como faço para deixá-la beeeeem alta? Será que ficar revoltada me deixa mais estressada?
Puxa vida... Parece que a preocupação em ficar boa acaba me deixando pior.
SOU CONTRA A CPMF
E você? É também? Então manifeste-se. Clique aqui e faça parte do abaixo assinado. Uma das nossas novas armas é a internet. Use-a.
NOVO MUNDO

Minha irmã me perguntou
"Quando você nasceu existiam computadores?"
Respondi que não.
Ela logo revidou "Mas então como você vivia?"
Bem, quando se é criança é fácil viver sem computador, porque temos tempo e cabeça fértil para criar um mundo mesmo com as coisas do dia-a-dia. Mas bem antes dos 10 anos eu já tinha computador em casa. Quase ninguém tinha, mas eu e meu irmão juntos compramos um MSX da Gradiente. Nem me lembro em que ano foi...
E depois tive os famosos PCs. Tanto que os trabalhos de colégio eram feitos na minha casa e o computador ficava na sala! Já tinha icq e chats. O "ôóou" já fazia parte da minha vida. Confesso que meu primeiro contato com o macintosh foi na faculdade. Ahhh, como demorou. Se eu tivesse conhecido minha alma-gêmea antes... rss
Então acho que não posso dizer que vivi sem computador. Ainda bem.
terça-feira, 14 de agosto de 2007
300 GOSTOSOS EXIBIDOS
Acabei de instalar um contador do google. Ele vê quantas pessoas entraram no blog, quanto tempo ficaram lendo e se foram em algum post específico.
E além da primeira página, um outro post foi muito visitado.
Adivinha? 300 GOSTOSOS. Eu falo sobre o filme 300. Mas certamente quem entra espera ver 300 fotos de homens gostosos...
E além da primeira página, um outro post foi muito visitado.
Adivinha? 300 GOSTOSOS. Eu falo sobre o filme 300. Mas certamente quem entra espera ver 300 fotos de homens gostosos...
SELVA DE PEDRA
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
PAI

Papai teve que ir às pressas para Belo Horizonte. Meu tio morreu.
Um tio que pouco conheci. Tão pouco... Mas lembro da sua barba farta, da aparência semelhante à do meu pai. Impossível não saber que eram irmãos.
Era turrão. Ficou doente, não foi ao hospital. Quando resolveu se render, estava em estado terminal. O câncer já havia se espalhado e em uma semana ele se foi.
Papai voltou no domingo dos pais, cheio de fotos. Antigas, recentes, tantos parentes. Pessoas que gostaria de conhecer melhor, de ter convivido. Mas que a vida com sua ironia e sabedoria deixou distante.
Acordei saudosa. Com saudade da minha amada família. Meus irmãos, pais, primos, tios, avós. E da minha família escolhida, meus tão queridos amigos. Ah, eu tenho saudade do meu namorado sempre. Mesmo quando está do meu lado. É que meu coração, tantos dias, fica assim, querendo fazer carinho...
Hoje estou saudosa. E aí fico assim.
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
PESSOAS ESTRANHAS

Não sei se posso dizer que toda reação meio sem sentido das mulheres é fruto da tpm. Algumas devem ter alguns parafusos frouxos também, não é? Bem, outro dia:
Elisa desistiu de lanchar com os amigos para espairecer. Não podia comer agora, ia perder muito tempo, pensou. Os meninos seguiram rumo à padaria e ela chamou o elevador novamente. "Preciso trabalhar, tanta coisa para fazer". Chegou, entrou e apertou aflita seu andar. Subiu, subiu e parou. A porta não abriu! "Qual andar estou?". Não era seu andar. Droga! Apertou a emergência e ficou esperando. Continuou esperando. Apertou denovo. O tempo passando. Ouvia vozes do outro lado da porta, mas nada do elevador abrir. Merda, merda, merda!
Meia hora depois, conseguiu sair. Esbravejava. Subiu os últimos cinco andares de escada amaldiçoando a vida. Sentou-se na cadeira e pôs-se a meditar. "Quero esquecer isso. Vai passar. Preciso pensar coisas boas". Respirou algumas vezes e abriu a internet.
Os colegas chegaram felizes, alimentados, rindo alto. O recepcionista não resistiu e comentou confidente: "aquela amiga de vocês ficou presa no elevador, coitada. Meia hora! A gente não estava conseguindo tira-la de lá." Coitada.
Pegaram o elevador um pouco apreensivos, apesar de não admitir. Ele subiu rápido, certeiro. E quando viram Elisa ali sentada, dispararam: "Que coisa essa que te aconteceu!". "O que?" tentou disfarçar. "Ficar presa no elevador". "Quem te contou?" perguntou ríspida e já alterada. Meditar não funcionou.
Tirou o telefone do gancho bufando e ligou para a recepção. Deu uma bronca no recepcionista!?!
ESCUTA SÓ
É impressionante o que um vendedor de celular que canta no chuveiro pode fazer. É uma edição do American Idol inglês.
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
SANEAMENTO BÁSICO

Divertidíssimo o filme de Jorge Furtado, com Fernanda Torres, Wagner Moura, Camila Pitanga e Bruno Garcia. Dá para dar boas gargalhadas, rir das dificuldades de se fazer um filme. Fica bem claro que a prática do cinema não é conhecida pelos brasileiros... quer ver?
Uma das piadas do filme é que ninguém sabia o que é filme de ficção.
E fala a verdade, você sabe?
De coadjuvantes Paulo José e Tonico Pereira mandam superbem de italianos. Falam, gesticulam, "italiani davvero, ti posso dire!"
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
MULHERES DESESPERADAS (DEZ)

O casamento já dura cinco anos.
Ele nunca pensou em ter filhos. E ela, bem, ela já abriu mão de tantos sonhos. Não casou na igreja, só juntou! Não comprou a casa. Não viajou para a europa. Não teve nada que tanto sonhou. Ela que sempre pensou que chegaria aos trinta e três com o homem da sua vida e o pai dos seus filhos.
E toda vez que ela – nessa hora ela não é mulher aos olhos dele, é a esposa – toca no assunto ele se esquiva, perde o bom humor e fica reclamando diante da tv. Tira as meias, exibe o chulé. Usa todas as artimanhas anti-clima. E vence.
Os dias passam. Os dois trabalham. Os finais de semana são tão curtos. E ela cada dia mais ansiosa. As amigas não querem mais sair. Todas amamentando. E ela? Ah, agora não sabe mais o que realmente quer. Ele ou as crianças? Mas eu quero os dois, pensa suspirando. Quero mesmo??
RICHARLYSON

Para as meninas que nem sabem do que se trata esse assunto, vou explicar. O time do São Paulo tem um jogador, o Richarlyson, que é gay. Ele ainda não "assumiu" publicamente e nem precisa assumir nada. Ninguém assume que é homem! Enfim, ele é homossexual e esse fato tem gerado enormes discussões. Completamente ridículas. Afinal, o que tem a ver a atividade sexual do moço com a capacidade de jogar futebol? Até porque já vimos que futebol não é esporte de homem. É de mulher, criança, homossexuais, todos. Com a bola no pé tudo vale. E pronto. Só é proibido, como em todo esporte, tomar hormônios. Senão vai ter um monte de travesti, homens e mulheres bombados...
VOLTAR PARA CASA
terça-feira, 7 de agosto de 2007
domingo, 5 de agosto de 2007
MEDITA

Uma das coisas que faço e me sinto imediatamente de férias é não pensar em nada. Uma meditação que me ausenta dá aquela certa liberdade para não me importar para pequenas exigências, atividades ou responsabilidades a que me submeto constantemente. Nesse momento nada disso.
Relaxa menina! Relaxa, não pense em nada mesmo, não exija nada de ninguém. Nem de você. E pronto, o olhar estrangeiro, aquele estado profundo de relaxamento e paz que tudo é demais volta. E me sinto denovo tão feliz como sempre fui. Amo férias. Mesmo trabalhando.
Fazer tudo ou nada, mas em paz.
sábado, 4 de agosto de 2007
SOLIDÃO QUE NADA

Ao chegar a uma nova cidade, aquela sensação de território desconhecido pode ser logo amenizada. Os sotaques diferentes e a sensação de ser estrangeira pode incomodar alguns. Mas há um modo de se sentir em casa e feliz, em qualquer cidade do nosso país. Lá você será bem tratada, poderá contar seus problemas, escutar histórias e sair de lá mais bonita. Melhor que igreja! É o salão de beleza. É verdade. Gastando R$10 para fazer a mão você tem direito a fofocas, revista, cuidado, conversas e você ainda sai mais bonita. Acho que entendo as moças que vão ao salão toda semana. Viva o "harém" onde as mulheres vão para se cuidar e se sentirem mais lindas e femininas. Nossa cumplicidade nesse mundo masculino é mantida também no salão!
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
ANTES E DEPOIS

Li a entrevista que o George Lucas deu à Rolling Stones na época que o primeiro Guerra nas Estrelas foi lançado. Uma das coisas que ele disse foi que não tinha ficado satisfeito com o R2D2 porque parecia um aspirador. Engraçado, há alguns meses fui comprar um aspirador e escolhi o que parecia com o R2D2, feliz.
EDUCAÇÃO?

Na Folha de hoje, Anna Veronica Mautner escreve "(...) hoje é assim: qualquer comentário é visto como desaprovação pela etiqueta; criticar, desaprovar e apontar diferenças viraram tabu".
Gosto da ironia inglesa, que desaprova, tira sarro, e é até ácida mas emite uma opinião. Parece que ser educado hoje é calar, guardar para si os pensamentos e emoções, coletar alguns lapsos de sinceridade soltos por aí por desavisados e utiliza-los nas maracutaias cerebrais feitas em casa, à sós.
Palhaçada. Etiqueta também é censura.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
MACHISMO DELIBERADO

Minha mãe está fazendo um curso sobre marketing pessoal. Gosto de saber o que dizem os palestrantes. Perguntei e ouvi injuriada: as mulheres não podem marcar a primeira reunião de negócios com um homem fora da empresa. Vetado almoços, cafés, etc. A justificativa da "etiqueta" é que o homem vai deduzir que a mulher quer sexo ou conquista. É patético ouvir essas coisas.
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