Estava muito afim de um trabalho para pagar as contas enquanto aguardo a resposta da minha contratação.
Então um amigo me passa um contato, pois tinha acabado de pegar outro trabalho. Ok, liguei para o sujeito. Ele viu meu portfolio online, se entusiasmou e me chamou para trabalhar lá por duas semanas, para ajudar a fechar a revista.
– Alguém saiu de férias?
– Algo assim.
Na hora suspeitei da exaltação em me chamar e da esitação ao explicar-se. Não que as pessoas não devam estar contentes em trabalhar comigo, nem por duvidar do meu valor. Mas foi uma reação exagerada. Supeita de tão exagerada.
Mas como estava precisando e não apareceu nada melhor, segunda-feira estava lá. E adivinhe? Novamente fui chamada para "ajudar a fechar" uma revista que na realidade mal tinha projeto gráfico definido. Não era "ajudar", era fazer a revista praticamente inteira. Mas desta vez, vacinada, não me abalei. Trabalhei bastante, fui competente e honesta, mas não levei problemas da editora para casa. Não quero salvar. Não quero ter que dizer as milhões de coisas que não concordo sobre a administração financeira...
E a experiência foi detestável. Por mais que eu tenha conseguido não me preocupar tanto, ver aquele filme repetido me causou enjôo. Me deixou triste. Me fez lembrar de como a contraplano foi danosa à minha vida, à minha auto-estima, à minha dignidade.
E ontem, quando terminou o último dia. Saí mexendo os ombros para aliviar o estresse, a tristeza, o peso de um lugar todo errado. Um lugar com similaridades absurdas com o outro que desencadeou um desastre da minha vida financeira.
Valeu. Somente para me lembrar do que não quero. Para me lembrar que profissionalismo é um quesito indispensável para ser íntegro e feliz. Sempre.